Tuiteromance
Denilson Patrick Oliveira Silva
O tuiteromance é um gênero literário da terceira geração da literatura eletrônica, produzido em plataformas como redes sociais. Caracteriza-se pela simbiose entre literatura e rede social, integrando elementos midiáticos e hipertextuais. Popularizado em 2009, combina a limitação de caracteres com recursos de interação, como curtidas e comentários.
O tuiteromance é um gênero literário emergente da literatura eletrônica de terceira geração, aquela que é produzida massivamente em plataformas e apps, como as redes sociais (Flores, 2021). Também pertence à twitteratura, a literatura que utiliza o “X”, antigo Twitter, como o seu principal meio de produção, circulação e leitura (Silva; Pereira, 2023). Esse gênero foi criado a partir de experimentações entre textos impressos e sua mediação em plataformas digitais. Desse modo, uma das principais características é a simbiose entre a literatura e a rede social (Montiel, 2014), que na escrita literária incorpora a limitação de caracteres (a saber, 280); a integração de elementos midiáticos (imagens, gifs e vídeos) e hipertextuais (hashtags, arroba, dentre outros elementos “clicáveis” da rede); além de recursos de interação como curtidas, repostagens, comentários e enquetes.
O nome do gênero, em sua primeira versão em inglês, surge da junção entre as palavras “Twitter” (o antigo nome da rede social) e “novel” (a palavra inglesa para romance), dando origem a twovel. O mesmo processo de criação deu origem a traduções equivalentes em espanhol e português: respectivamente, tuitenovela e tuiteromance. Contudo, é importante pontuar que twovel e suas traduções são termos usados, sobretudo, em âmbito acadêmico. No Twitter, é comum os usuários chamarem esse gênero de thread (e suas traduções, como: hilo, fio e sequência), devido a uma ferramenta da rede social usada para escrever textos longos. Assim, um thread, no Twitter, refere-se a textos longos, como um tuiteromance, mas também a quaisquer outros de longa extensão, como, por exemplo, a uma postagem de cunho jornalístico ou científico.
O tuiteromance se popularizou em 2009 com a escrita de um trabalho colaborativo do escritor estadunidense Neil Gaiman, que foi finalizado sob o título Hearts, Keys, and Puppetry, mas que inicialmente era popularmente chamado de Collaborative Novel, Twitter Novel e, mesmo, Twovel. Algumas das primeiras obras a serem publicadas nessa estética foram: Small Places, de Nicholas Belardes (2008); Reviravolta, de Andre Lemos (2009); e Serial Chiken, de Jordi Cervera (2010). Mais recentemente, podem ser citadas: Querido, David, de Adam Ellis (2017); Descobri um assassinato no Twitter, de Modesto Garcia (2018); e Anjo da Guarda, de Nagore Suárez (2019).
COMO CITAR ESTE VERBETE:
SILVA, Denilson Patrick Oliveira. Tuiteromance. In: CATRÓPA, Andrea; PEREIRA, Vinícius Carvalho; ROCHA, Rejane (orgs.). Glossário – LITDIGBR – Literatura Digital Brasileira. 2025. Disponível em: https://glossariolitdigbr.com.br/post-gld08-genero/. Acesso em: dia/mês/ano.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FUNDAMENTAIS
FLORES, Leonardo. Literatura eletrônica de terceira geração. DAT Journal, v. 6, n. 1, p. 355-371, 2021
Importante artigo que historiciza e discute as diferentes gerações da literatura eletrônica. Este trabalho permite um olhar horizontal sobre as raízes da literatura eletrônica e os seus mais recentes desdobramentos.
MONTIEL, Daniel Escandell. Tuiteratura: la frontera de la microliteratura en el espacio digital. Iberical: Revue d’études ibériques et ibéro-américaines, v. 5, p. 37-48, 2014
Um dos primeiros artigos a discutir a tuiteratura e suas características. É um ponto de partida interessante para pensar como os recursos da rede que medeiam o texto ajudam na construção literária.
SILVA, Denilson Patrick Oliveira; PEREIRA, Vinícius Carvalho. A tuiteratura escrita por meios de fios: notas sobre o gênero tuiteromance. Terra Roxa e Outras Terras: Revista de Estudos Literários, v. 43, n. 1, p. 39-39, 2023
Artigo que discute com mais atenção os elementos que compõem o gênero tuiteromance.
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