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Videopoesia

Rosângela Fachel

A videopoesia é uma linguagem híbrida que combina poesia e audiovisual, explorando recursos digitais e computacionais para criar uma interseção de elementos verbais, visuais e sonoros. Ela pode prescindir da palavra verbal, mas mantém a lógica poética e se adapta a diferentes suportes, criando experiências sensoriais e políticas, como a videoperformance e o videoativismo.

Linguagem artística híbrida que nasce do entrecruzamento entre as artes da poesia e do audiovisual, a videopoesia (também chamada de vídeo-poesia, vídeo poético, cine-videopoesia, videopoema ou clipoema) amplia as possibilidades de criação e de experimentação para além das especificidades de cada uma de suas artes isoladamente, utilizando tecnologias e recursos audiovisuais e computacionais para explorar matrizes visuais, sonoras e verbais na composição de um palimpsesto discursivo intersemiótico. De modo geral, a videopoesia é associada à presença da palavra – escrita e/ou falada – como elemento dominante, trabalhado de forma visual e/ou sonora, como nas precursoras “Roda Lume” (1968), de E. M. de Melo e Castro, e “Sympathies of War” (1978), de Tom Konyves (2011). A palavra colocada na tela movimenta-se no espaço e evolui no tempo, transformando-se em outra coisa, que amplia suas camadas de sentido e inaugura uma outra gramática. (Machado, 1993, p. 169). No Brasil, Arnaldo Antunes popularizou a videopoesia, combinando a forma verbivocovisual da poesia concreta à linguagem pop do videoclipe. Em perspectiva expandida, a videopoesia pode prescindir da linguagem verbal, mas isso não significa prescindir de sua lógica, uma vez que aciona o “verbo regredido ao seu foco originário de pura intenção”. (Santaella, 2001, p. 370). No amplo espectro da videoarte, a videopoesia, em suas múltiplas configurações, pode também ser entendida como videoperformance, videodança e videoclipe. E com seu olhar crítico sobre o contemporâneo, pode ainda desvelar-se videoativismo, como nas intervenções urbanas da rede Projetemos. Por sua natureza tecnológica e comunicacional, a videopoesia está em constante transformação e transmidiação, experimentando e buscando visualidades alternativas às hegemônicas. Sendo adaptável a vários suportes de exibição – televisores, monitores, celulares – e de projeção (em paredes e superfícies, internas ou externas), a videopoesia permite diversas expografias, que vão da videoinstalação ao videomapping (projeção mapeada) e dos espaços expositivos – galerias, museus – às fachadas de prédios. Por meio da simultaneidade e intersecção de linguagens, intensificada pela fluidez de sua materialidade, a videopoesia provoca experiências poéticas – multissensoriais, polissêmicas e políticas. 

COMO CITAR ESTE VERBETE:

FACHEL, Rosângela. Videopoesia. In: CATRÓPA, Andrea; PEREIRA, Vinícius Carvalho; ROCHA, Rejane (orgs.). Glossário – LITDIGBR – Literatura Digital Brasileira. 2025. Disponível em: https://glossariolitdigbr.com.br/post-gld06-genero/. Acesso em: dia/mês/ano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FUNDAMENTAIS

Texto emblemático para a discussão do conceito de videopoesia. Tom Konyves é considerado um dos principais expoentes artísticos e acadêmicos da linguagem videopoética. Para ele, a presença da palavra – em registro visual ou sonoro – é imprescindível para a configuração de uma videopoesia.

Livro pioneiro na discussão brasileira acerca das relação entre as tecnologias e as poéticas artísticas, apresenta uma ampla revisão e discussão de diferentes posições teórico-críticas sobre a questão. Nesse e em outros textos, Arlindo Machado é uma das principais referências para a discussão das artes do vídeo no Brasil.

Leitura fundamental para a reflexão sobre as especificidades, assim como sobre os entrecruzamentos das três matrizes – sonora, visual e verbal – na configuração e nas transformações da linguagem e do pensamento. Lúcia Santaella é uma das principais referências brasileiras no campo das relações entre tecnologias e linguagens.

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3 Responses

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