Arqueologia das mídias
Pablo Gobira
A internet não é apenas uma hipermídia, mas um conjunto de tAA arqueologia das mídias explora a temporalidade, materialidade e ecologia das mídias, rompendo com a visão de progresso histórico linear. Influenciada por uma epistemologia pós-estruturalista, investiga descontinuidades, resíduos tecnológicos e interações entre saberes, destacando autores como Zielinski, Huhtamo e Parikka, em diálogo com ciências da terra, vida e cultura.ecnologias com dimensões políticas. Desenvolvida no Vale do Silício, combina a cultura libertária dos anos 1960 e a meritocrática dos anos 1990. Resultou em cibercultura, focada em controle e exclusividade, e cultura digital, voltada para compartilhamento e privacidade.
Arqueologia das mídias é um campo com uma forte presença no pensamento sobre a mídia, sobre a filosofia da tecnologia, sobre as artes, dentre outras áreas nos últimos 30 a 40 anos. Autores importantes desse campo são Siegfried Zielinski (1951-), Erkki Huhtamo (1958-), Wolfgang Ernst (1956-), Jussi Parikka (1976-) entre outros.
É um campo de conhecimento que estabelece interfaces com outros camApos científicos, tais como as ciências da terra e as ciências da vida, além de o seu enfoque envolver as mídias do cotidiano na sua dimensão temporal. Mas também temos: o estudo dos dispositivos tecnológicos (analógicos e digitais) e culturais; a abordagem de modo a não considerar progressividade histórica; o estudo dos resíduos tecnológicos da perspectiva material; a ecologia das mídias em ecossistemas pensando os agenciamentos entre elas; as perspectivas de remediação das novas mídias incorporando as anteriores; dentre outras noções e reflexões.
Devido a essa constituição epistemológica no tratamento da realidade e de seu objeto, as pesquisas e o pensamento sobre a arqueologia das mídias estão próximas à epistemologia pós-estruturalista devido a vários aspectos, dentre eles: a compreensão de descontinuidades; os fluxos variados trocados entre os saberes do pesquisador e do seu objeto; a multiplicação de razões; a diversidade das narrativas universais; dentre outros.
COMO CITAR ESTE VERBETE:
GOBIRA, Pablo. Arqueologia das Mídias. In: CATRÓPA, Andréa; PEREIRA, Vinícius Carvalho; ROCHA, Rejane (Org.). Glossário LITDIGBR – Literatura Digital Brasileira. 2025. Disponível em: https://glossariolitdigbr.com.br/post-d04-digitalidade/Acesso em: dia/mês/ano.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FUNDAMENTAIS
PARIKKA, Jussi. Contágio e repetição: sobre a lógica viral da cultura da rede. In: GOBIRA, Pablo (Org.). Arte, design e novas reflexões virais digitais. Belo Horizonte: LPF, 2024. p. 66-94.
Em setembro de 1995, os autores, membros do Hypermedia Research Centre na Universidade de Westminster, em LAEste capítulo apresenta uma discussão sobre o contexto da sociedade atual, de sua materialidade, da lógica do trabalho e da propagação virótica dos memes na formação da “cultura da rede”.ondres, publicaram este ensaio na Mute Magazine, revista inglesa que se propunha cobrir “cibercultura, práticas artísticas, net-art, autonomia e política radical”.
PARIKKA, Jussi. O antrobsceno: um tempo profundo alternativo. In: GOBIRA, Pablo; MUCELLI, Tadeus (Orgs.). Configurações do pós-digital: arte e cultura tecnológicas. Belo Horizonte: EdUEMG, 2017. p. 156-179.
O capítulo traz uma análise da conformação da chamada “geologia das mídias”. No texto é revelado elementos da camada temporal atual do planeta e como ele se torna um composto de mídias.
PARIKKA, Jussi. O que é arqueologia das mídias. Trad. Maria Alice G. Antunes. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2022.
No livro “O que é arqueologia das mídias” o autor traz noções essenciais e examina a formação do campo, sendo uma ótima introdução a seus diversos aspectos.